Palavras que no grego significam “Processo de se adicionar”

É a ciência de se construir moléculas complexas a partir de átomos ou moléculas mais simples através de seqüências racionais de reações químicas.

A síntese orgânica é uma área da química orgânica que pode ser definida como a construção em laboratório de substâncias, presentes ou não na natureza através de átomos ou substâncias mais simples, utilizando reações químicas de maneira racional e planejada. Em nossos dias, a síntese orgânica ocupa um lugar de destaque na ciência moderna, pois exerce um papel de fundamental importância na vida moderna. Por exemplo, a síntese orgânica está presente nos inúmeros medicamentos, alimentos, vitaminas, suplementos, cosméticos e materiais de higiene e limpeza que utilizamos. Podemos também encontrá-la em agroquímicos, fertilizantes, conservantes, explosivos, combustíveis e em diferentes materiais como plásticos, corantes, cristais líquidos, papel, tintas, dentre outros. A síntese orgânica é também uma ferramenta de fundamental importância para o avanço da química moderna, contribuindo significantemente em diversos aspectos. Por exemplo, ela é responsável pela obtenção de novos reagentes, metodologias, catalisadores, obtenção e estudo de produtos naturais, mecanismos e na criação e verificação de teorias químicas. Além da química, a síntese orgânica também auxilia diferentes áreas científicas, tais como a física, medicina, biologia, bioquímica, dentre outras. Devido a sua vasta aplicação, podemos afirmar sem receios, que sem a síntese orgânica não teríamos alcançado o avanço científico e tecnológico que conquistamos.

Síntese Orgânica e os corantes

Em seu início como ciência, a síntese orgânica encontrou um campo fértil para o seu desenvolvimento na química dos corantes, que até 1856 eram só obtidos através de fontes naturais vegetais e animais.

Alizarina

Corante cristalino vermelho, obtido a partir da raiz da planta Rubia tinctorum, comumente conhecida pelos nomes de garança ou ruiva dos tintureiros e já utilizada no antigo Egito para tingir os tecidos utilizados no processo de mumificação.

Brasileína

Corante de cor vermelha, extraído da nossa tão conhecida árvore o pau-brasil e que, durante o período Brasil-colônia, era vendido na Europa pelos portugueses para o tingimento de tecidos.

Cochonilha

Esse corante era utilizado pelos incas e aztecas, e além de ser superior em qualidade,  era extraído de forma  mais  abundante  que  a  quermes,  sendo  introduzido  pelos  espanhóis  na Europa com um alto valor agregado.

 Ácido Quermésico, estrutra básica dos corantes

Ácido Quermésico, estrutra básica dos corantes

 Quermes e Cochonilha

Quermes e Cochonilha

Púrpura de Tiro

Esse corante, extraído desde 1600 a.C. a partir de espécies de um caramujo marinho do Mediterrâneo do gênero Murex, cuja tonalidade da cor púrpura variava de acordo com a espécie,sendo o mais raro e caro da antigüidade, sinônimo de riqueza e poder. Para se conseguir um grama de corante era necessário obter aproximadamente entre 10 a 12 mil caramujos marinhos que, além de raros, eram difíceis de serem capturados.

William Henry Perkin (1838–1907)

A partir de 1856 a cor púrpura e os corantes de um modo geral, que só eram obtidos a partir de fontes naturais, estavam com seus dias contados, isto devido à fantástica descoberta acidental do químico inglês William Henry Perkin (1838–1907). Com a idade de apenas 18 anos, em um pequeno laboratório que se encontrava nos fundos de sua casa, Perkin decidiu tentar a síntese da quinina, uma substância natural utilizada até hoje em dia no combate à malária, e que na época sua estrutura era desconhecida. Perkin utilizou o alcatrão de carvão, que continha uma mistura de anilina e toluidinas e oxidou-a em presença de dicromato de potássio (K2CrO4), obtendo assim um sólido negro nada promissor. No entanto, ao diluir esse sólido com água ou álcool obteve inesperadamente soluções de cor púrpura, verificando fascinado que essa solução era capaz de tingir tecidos. Após conseguir separar a substância responsável pela cor púrpura do sólido negro, o corante foi denominado por Perkin de púrpura de Tiro, em homenagem ao já citado corante púrpura extraído dos moluscos e, posteriormente, denominado de Mauve (Mauveína) pelos franceses, nome adotado até os dias de hoje. Após sua impressionante descoberta, Perkin patenteou-a e, com a ajuda financeira do pai e do irmão, construiu uma fábrica para a produção da Mauve, desenvolvendo um excelente processo de tintura desse corante tanto em tecidos como em algodão. Perkin além de se mostrar um notável químico, foi também um excelente empresário e, aos 23 anos, já dominava a síntese dos corantes e fazia fortuna com suas descobertas.

Indigo

Pigmento azul extraído das folhas da planta Indigofera tinctori sendo seu principal produtor a Índia, que na época possuía mais de dois milhões de hectares cultivados.

Produção do Índigo

Planta da BASF (1890)

Síntese do indigo por Karl Heumann em 1893

Robert Burns Woodward – Considerado o Pai da Síntese Orgânica (Prêmio Nobel em 1965), realizou  síntese   de   moléculas  complexas  como: Striquinina   (1953),   Reserpina  (1958)  e Vitamina B12 (1973).

J. Corey – Realizou síntese de moléculas complexas, bem como uma sistematização, metodologias e teorias sobre a síntese orgânica (Prêmio Nobel 1990).